Dizem que ser pai ou mãe é um compromisso para a vida inteira, mas ninguém nos avisa sobre a dor que é ver um filho adulto, com quase meio século de vida, insistir em caminhar de olhos fechados.
Nós fazemos tudo. Desdobramo-nos em conselhos, estendemos a mão nas quedas, tentamos ser a voz da razão e o porto de abrigo. Olhamos para a vida e pensamos que o erro de ontem deveria ser a lição de hoje, e o mapa para o amanhã. É assim que o ser humano evolui: caindo, aprendendo e guardando a experiência como um escudo.
Mas quando olhamos para o lado e vemos uma pessoa de 49 anos agir com a ingenuidade e a inconsequência de uma criança, algo em nós quebra. É o cansaço de uma lógica que nunca chega. É o esgotamento de ver alguém acreditar em tudo, menos na realidade que está mesmo à frente dos olhos.
Esse cansaço não é falta de amor; é o limite da nossa capacidade de carregar as consequências de quem recusa crescer. O amor não nos torna imunes à frustração de ver a história repetir-se, vez após vez, sem nexo, sem sentido, criando problemas onde já devia existir maturidade.
Chega um momento em que precisamos de aceitar que, por mais que o nosso coração queira guiar, não podemos viver a vida pelos outros, nem sequer pelos nossos filhos. A nossa sanidade e a nossa paz também importam. E desabafar sobre este peso não nos torna menos generosos — torna-nos apenas humanos
Hoje o meu dia começa assim felizarda
15/ de junho 2026.
