domingo, 28 de junho de 2026

Sempre lutei contra o tempo.

 Sempre lutei contra o tempo,

Sempre lutei para amar.

Só que o mundo tem espinhos 

Que não podemos limpar 

E assim passam os anos.

Até a vida acabar.

Mas se o tempo é compasso 

Que não podemos deter,

Que a pressa não mude o traço 

do que insistimos em ser.

Se a ferida é memória 

do espinho que se pisou,

o cicatrizar é história 

de quem,no fim, não quebrou.


Não há de ser o cansaço 

que nos vai fazer parar;

enquanto houver um espaço,

ainda valerá amar.

Que a vida passe no vento,

mas salvamos o coração.

Felizarda Faustino


Memórias que não apagam.

 O colar da minha mãe,

que eu tanto admirava,

Não era pérola verdadeira.

Mas para mim era esmeralda.


O colar que em criança.

Sempre o vi colocar,

mais tarde quando cresci.

Ainda o vim a usar.


Não é preciso ser rico.

Para conseguir brilhar,

Que o colar que ela tinha,

Todos podiam comprar.


O colar da minha mãe.

Que eu ando a recordar,

São coisas de criança,

Que não consigo apagar.


Felizarda Faustino .

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O confronto Diário: Mente vence o corpo.

 Os anos avançam e, com eles, parece surgir uma resistência silenciosa. Sinto o corpo mais pesado, como se cada movimento exigisse um esforço,extra,e, ironicamente,o cérebro 🧠 parece conspirar a favor dessa inércia, encontrando justificativas para a preguiça 🦥 que se instala. Hoje percebo que levantar para a higiene pessoal,sair para caminhar ou simplesmente ir ao café tornou -se um exercício de vontade. É uma luta diária contra a gravidade física e a hesitação mental. Mas no meio desse confronto, uma certeza se impõe: Eu não posso me deixar vencer. O movimento é a vida, sei que,se parar agora a inércia só aumentará. Por isso, decidi que não vou mais negociar com o cansaço. A partir  de agora a ação vem antes da vontade. Vou tratar cada pequena tarefa ---- o banho,a caminhada 🥾; o café ---- como uma vitória necessária. Afinal, a disciplina de continuar em movimento é o que garante que eu continue a ser dono do meu próprio caminho. 12 / 6/2026.

O Dia em que a Mente me pregou uma partida. Coisas que escrevo.

 Há dias em que a nossa cabeça decide seguir um guião próprio, completamente desalinhado da realidade. Hoje foi um desses dias. Saí de casa a correr para despachar umas voltas rotineiras. Entrei  no carro, fechei a porta e,num daqueles olhares automáticos e mecânicos para o retrovisor e para o tablier,a minha mente decretou, sem grande espaço para dúvidas: "Não tens gasolina. Tens de abastecer". Fiquei com aquela ideia fixa. Fiz as minhas voltas sempre com o" lembrete a piscar no  fundo do pensamento: bomba de gasolina. Terminadas as tarefas dirigi- me finalmente ao posto  de abastecimento composta, por isso escolhi uma fila e coloquei-me,à espera da minha vez. Sempre focada no objetivo de encher o depósito. Estávamos ali todos ordeiramente à espera da nossa vez quando,de repente o primeiro carro da fila da frente atesta e sai. Nisto,abre-se uma vaga na bomba. E aí que surge o " artista ": uma carrinha de um turista alemão ____daquelas típicas de rolar na estrada ------ ,vinda do nada, dá a volta e enfia-se descaradamente na bomba livre , ignorando por completo toda a gente que já ali estava a secar. Os outros condutores ficaram a olhar,provavelmente incrédulos ou na defensiva, mas eu não sou de calar. Quem cala consente. E se nós consentíssemos aquele senhor, armando em turista espertalhão, vinha fazer na minha terra aquilo que de certeza não se atreve a fazer na dele. Não estive com meias medidas: deitei -me à  buzina com uma força tal que o barulho ecoou pelo posto de combustível inteiro. Foram as minhas apitadelas que não deu margem para dúvidas. O senhor turista percebeu logo a mensagem, sentiu a pressão deu meia volta com a carrinha e foi parar direitinho ao fim da fila,onde já devia estar desde o início. Assim que a carrinha recuou fez-se notário ambiente em redor. Toda a gente na estação de serviço olhou para mim e começou a rir, num misto de cumplicidade e agradecimento. Alguém tinha de ter iniciativa de fazer justiça e hoje esse papel foi meu. A justiça das bombas de gasolina foi reposta! Chegou finalmente a minha vez. Saí do carro, agarrei na mangueira,atestei o depósito e paguei. E foi precisamente aí, já não saída da bomba de gasolina, depois de ter feito o serviço todo, que olhei com atenção para o painel e reparei no maior detalhe do dia;  O carro, afinal ainda tinha muita gasolina!  No fundo,fui ali de propósito sem necessidade nenhuma. A minha cabeça pregou- me uma rasteira, é verdade, mas valeu a pena: se não fosse essa ilusão o alemão tinha feito a dele e a justiça da bomba de gasolina não tinha sido reposta! Um bombeiro que estava à porta do posto ----- já que o posto de gasolina é junto com o posto dos bombeiros ----- assistiu a tudo e também se começou a rir da situação. Ao ver a reação de,respondi logo: Peço desculpa, mas com a minha idade já não tenho paciência para aturar pessoas atrevidas que querem passar à frente dos outros, fazendo de nós parvos.