O tempo foi passando e já nessa nova casa nasceu meu irmão António,eu atingi os meus 7 anos e foi para a Escola das freiras que ficava no Sítio da Fontinha ia e vinha sozinha da Escola e entretida pelo caminho até chegar a casa.Ainda andava na Cartilha de João de Deus ,quando as freiras nos começaram a colocar as crianças a fazer trabalhos para elas,limpar os galinheiros das galinhas ,que era horrível,e mais horrível ainda era pior quando nos colocavam a limpar as retrete com as mãos que era rente ao chão e nós miúdas a limpar,e ajudar noutras coisas.Eu comecei a não gostar da Escola,além de fazer esses trabalhos a irmã Donata que era a nossa professora na altura ,nos batiam muito na cabeça com uma cana longa que ia ao fundo da Escola,comecei a nunca estar bem na Escola eu e as outras alunas,e nos colocavam de castigo,com um barrete de papel na cabeça,e uma língua,na varanda da Escola viradas para a estrada. Quando o Bispo da Madeira na altura em que eu andava na Escola foi lá de visita,e nos obrigaram a beijar o anel,todas fizeram menos eu,pois achei que não era limpo a seguir ao beijo,e daí elas ficaram de ponta comigo,nem podia mexer a cabeça levava que contar, O tempo foi passando e um dia deitei a mala fora da varanda,fugi para casa,e me coloquei debaixo da cama da minha mãe com medo,pois além de levar na Escola a minha mãe também batia por tudo e por nada.Estava lá escondida quando ouvi a freira a falar com minha mãe a procurar por mim,minha mãe como não sabia e não viu eu chegar,disse que eu não estava,a freira se foi embora e eu apareci,levei uma tareia claro nunca se perguntava nessa altura às crianças o motivo,e se perguntavam não acreditavam .Meu pai disse a minha mãe para me colocar na Escola oficial e lá entrei eu novamente para a Escola.A minha primeira mala da Escola era de madeira feita por meu pai,com cor escura e essa mala durou até a terceira classe, mas depois meu pai me comprou uma de cartão,castanha ,com uma asa ,era leve ,e nessa altura coisa fina,o bom era que chovia pouco em Porto Santo,senão lá ia a mala, como vim para a escola oficial já fiquei mais perto de casa,era na rua da Doca onde havia o maior comércio,ficava por cima de um cabeleiro de homem o próprio dono que cortava o cabelo aos homens,o Senhor José Rego,e em frente tinha o sapateiro que era o senhor mestre Tomé aqui deixo a sua foto
,bebia muito e nós crianças se achava graça ao que ele dizia,uma filha dele andava na Escola comigo,Clarice .Na escola tinha um crucifixo e a foto do governante nessa altura dos anos 50,Dr.Oliveira Salazar,e do Américo Tomás, e do senhor Craveiro Lopes ,todos os dias tínhamos que rezar e uma vez por semana trazer flores para a jarra do crucifixo,quando chegava a minha vez eu não tinha flores pois minha mãe não tinha quintal,então eu resolvia o assunto,como a Igreja Matriz da Vila hoje cidade tinha muitas flores,tanto no Adro como na parte de trás da igreja, hoje ainda continua com algumas antigas flores dessa altura,porque canteiros plantados não tem pois ninguém os cultiva ,e quem cultivava era o senhor Pedro que era o sacristão e eu lá ia buscar uma ou duas flores,pois pouco levava o solitário,mas como era o sacristão que as plantava corria atrás de mim,porque não gostava,esse sacristão era primo da minha mãe.Mas eu lá conseguia levar as flores,Outras vezes para não ir à igreja ia para o Cemitério,tinha uma amiga que andava sempre comigo da escola e ia com ela.Se chamava Madalena era filha de um senhor da ilha que se chamava o Brabio tem este nome porque era muito mau e parece que fez das suas na ilha,começando pela família,a minha Mãe contava que ele ia muito à pesca,e que um dia levou alguém da terra com ele para pescar,e já não voltou com ele, diziam ser vingança por algo que o outro lhe lhe tinha feito e assim se vingou,ao ponto de dizer que o homem se tinha agarrado à lancha de pesca e que lhe bateu com força nos dedos das mãos e acabou por morrer afogado,e nada lhe aconteceu nada ,em Porto Santo sempre as pessoas se calavam e se calam, com o que observavam e só falam por trás ,voltando às flores que ia buscar no Cemitério,um dia eu e a minha amiga fomos buscar flores,as que eu mais gostei estava dentro de uma campa rente ao chão,foi para apanhar enfiei lá uma perna ,e foi difícil de conseguir sair ,com a Madalena a fazer força,ficamos com medo e tivemos uns tempos sem lá ir.
Deixo aqui a foto da Igreja de Santa Catarina ,no Cemitério do Porto Santo.
Um dia voltamos lá novamente,mas desta vez buscar flores para a Madalena ,porque era a vez dela,entramos e ela ficou no portão a ver se o coveiro vinha pois tinha saído ,quando nisto vêm a Madalena a correr que o senhor já vinha,lhe davam o nome ao Senhor Firme,não sei se, era nome ou alcunha,só sei era conhecido por esse nome.Como não se tinha por onde fugir,fomos para arrecadação onde guardava as ferramentas e o caixão que pertencia à Câmara ,quando as pessoas não tinham dinheiro para comprar o caixão,iam nele depois era deitado `a cova e levavam uma saca de cal em cima, e assim se enterrava ,tudo coisas vistas por mim pois tudo o que acontecia eu ia ver,eu me coloquei dentro do caixão e Madalena ficou ao lado escondida,quando o senhor entrou dei um pontapé na tampa do caixão e o senhor se assustou,e se foi embora e nós aproveitamos para sair,eu foi terrível mas coisas sãs nada com muita maldade.Isto passou e continuamos na Escola a minha professora na altura era a D. Teresa,irmã de Fátima do Rosário,uma boa professorar, eu é que era muito distraída ,e as outras alunas e quando chegava a vez de dizer a tabuada e não se sabia,se levava que contar,eu ainda leva mais porque afastava a mão da régua,e ia de castigo estudar a tabuada sei lá quantas vezes,mas quando era para dizer com medo já me esquecia tudo.Quando se saía da Escola em frente tinha o Senhor Mestre Tomé,Clarice o pai dizia logo para ir para casa,eu e outras se ficava observar as coisas que ele dizia ,com a bebedeira à porta,se ria dizia coisas engraçadas que não se esquece das pessoas,outras vezes adorava velo sentado no banquinho a trabalhar com seu filho ao lado,meu pai ia muitas vezes conversar com ele,e assim me levava para casa.Continuamos a morar na casa que meu pai tinha alugado, e minha mãe além dos problemas que já tinha tido na fábrica lhe apareceram mais dois,um era que meu tio Alberto marido de minha tia Cândida irmã de minha mãe numa mais resolvia por caso das partidas do terreno que pertencia a todos,eles moravam lá e a minha queria a sua parte para fazer uma casinha,pois estava farte de andar de casa em casa,meu pai a pagar rendas e depois pouco ou nada se tinha para comer.Logo a seguir fica doente meu irmão António que tinha meses,ainda com o tal vírus que levado tantas crianças,andou muito mal e meus pais sem dinheiro para os medicamentos,mas o Senhor Dr. Lima ajudou minha mãe com a o tratamento,me lembro tão bem,era um leite próprio para ele numas latas ,era leite em pó,e depois avia outra com um rotulo azul e parecia chocolate em pó,eu e meu irmão Augusto queríamos se acha que aquilo era bom, foi um grande sofrimento para os meus pais,e o meu irmão que só começou andar aos três anos,sempre com problemas,só mais crescido começou a ficar melhor.Depois meu tio e tia lá resolveram dar a parte dos pais da minha mãe,mas o que lhe deram foi um ribeiro,que era por onde passa a água,tudo isto eu ouvia meu conversar com minha mãe,tiveram que gastar muito dinheiro para encherem o Ribeiro de pedras,para então começarem a construir a casa,levou 3 anos,porque o meu tinha um ordenado peque e minha durante esses anos ando alugar bicicletas ,e duas motas que o meu pai comprou,eram pretas e brancas e de marca Pachancho,e assim foi fazendo o dinheiro para fazer a casa,e nos alimentar,porque o dinheiro era quase todo para a renda.Assim fomos estando e em 1988 penso porque eu já andava na Escola da Vila e nasci 1950,lá os meus apanham um grande susto,choveu muito e a represa que guardava a água para a ilha rebento,e veio muita água,e como a cozinha da minha era virada para a Ribeira a água começou a galgar para dentro.A minha mãe foi uma mulher de armas,ela a todos deitava a mão e conseguia resolver os grandes problemas.Sempre a dizer as suas graças ia resolvendo o que podia.Por cima de nós morava um senhor da Madeira que chamava Rocha Alves,uma alegre ,divertida e que lutava pela sua vida,morava com sua mulher ,três filhas e dois filhos. Paisita,Irene Juvenal,João José,e Mercês pessoas boas.Aqui vou deixar uma foto do Senhora Rocha Alves,e depois vou contar algo giro dele. Este senhor era baixinho,alegre,e tudo fazia,por quem o rodeava,era chofer,fazia de taxista na ilha,e não só ,ele para ganhar o seu ganha pão,pois tinha muitos filhos e uma casa para pagar,também vendia perus,que ia buscar ao Sitio da Camacha,no porto santo,para vender,os enviando ,para a Madeira,ele ajudou,muitos jovens ,na ilha que não tinham dinheiro,para ter aulas de condução,e ele de graça,dava as primeiras aulas,e depois o engenheiro ia a porto santo,e eles só,davam do seu bolso,o dia do exame.



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