Escrever estas memórias é a forma que encontrei de dar voz aos dias que já vivi, às lições que aprendi e ao sobressaltos que me moldaram. Cada página guarda não apenas o que me aconteceu, mas a forma como escolhi ultrapassar cada momento ---os bons, os difíceis e até aqueles em que a vida me apanhou desprevenida. Viver é este constante equilíbrio entre a fragilidade e a força. Aprendi que nem tudo está sob o meu controlo e que o corpo 💀 guarda a memória das peripécias por onde passou. Mas guardo também a certeza de que continuo aqui, inteira, a cuidar de mim, a honrar a minha história e a olhar o futuro com sabedoria, calma e prudência. Que estas palavras sejam o registo vivo do meu percurso, um testemunho de resiliência e de amor ❤️ pelo 🧬 vida.
4 de setembro 2026.
O Peso da Distância e a sabedoria do Tempo.
A vida exige-nos decisões difíceis. Quando a necessidade aperta,ganha-se a coragem de cruzar o mar em busca de algo melhor, acreditando que a razão consegue dominar a dor da ausência. Diz-se aos outros ----frios tenta-se convencer a si próprio ---- que os mais pequenos se habituam, que o tempo passa depressa e que a distância se gere. Mas a razão não manda no coração ❤️ 🌹. Há verdades que só se aprendem quando o silêncio 🤫 da despedida fica no ar. Quando a bagagem embarca, quando a mão do filho se solta e a porta 🚪 do avião ✈️ ou do barco ⛵ se fecha a realidade impõe -se sem pedir licença. Nesse momento , o choro transborda pelo telefone não é apenas de saudade ; é o choque de perceber que com os sentimentos não se brinca e que a dor da separação é um peso genuíno, físico e visceral. É difícil ser mãe e avó ao mesmo tempo. É difícil tentar avisar sem soar a sermão, querer poupar quem amamos à dor e sentir a frustração de ver que as conversas nunca se concluem, porque os filhos acham sempre que o mundo deles é diferente do nosso. No entanto , a vida é uma roda contínua. As saudades que hoje cortam por dentro são as mesmas que no passado já nos dobraram os joelhos. Ontem o coração pesou porque doeu ver as história a repetir-se. Mas , no fundo, esse choro ao telemóvel é o início da maturidade que só a maternidade ensina. Resta estar presente, com a porta do abraço sempre abertos, sem precisar de dizer "eu avisei" --- porque o silêncio da compreensão e o amor de quem já lá esteve dizem tudo.
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