O Berço e a Fábrica 🏭

Capitulo I
Nasci nesta Fábrica de conservas onde os meus pais viviam e trabalhavam ,na Ilha de Porto Santo a 10 de Abril de 1950.Aqui está a foto dessa fábrica hoje desaparecida. E tudo o que nela existia , que podia ter sido guardado e fazer um pequeno Museu para recordar aquela que matou a fome ao povo de Porto Santo.
Hoje 27 de Setembro de 2018  com os meus 68 anos resolvi começar a escrever aos poucos desde o meu nascimento continuando o livro até conseguir  acabar. Com  abertura da Fábrica de conservas,  em Porto Santo no tempo do Estado novo ,foi o meu Pai Eduardo Faustino ,Natural de Vila Real de Santo António do Algarve trabalhar para a essa Fábrica em Porto Santo, na companhia de outros trabalhadores da fábrica de Vila Real de Santo António , que também vieram para Porto Santo,  para a fábrica começar a funcionar, assim com o tempo começou a entrar pessoal para trabalhar da ilha de Porto Santo,  e foi ai que o meu pai conheceu a minha mãe, Carolina da Silva Drumond. Namoraram e casaram em 1948 .Antes do meu  nascimento em 1949 nasceram dois irmãos gémeos , um nasceu morto e o segundo sobreviveu com o nome de Augusto,  três meses depois morreu o segundo filho, quem assistiu ao nascimento e dos meus irmãos gémeos foi o Senhor Dr. José Diamantino Lima que foi um grande médico na ilha de Porto Santo, desde 1939 e com a profilaxia desenvolvida pela Câmara Municipal à propaganda e atuação do médico que foi o Senhor Dr. Lima, foi com ele que apareceu as farinhas lácteas pela Comissão Distrital de Assistência do Funchal e pela criação dum Centro Sanitário e Hospitalar na ilha  que era o melhor Centro o melhor apetrechado na altura, devido à distância entre as duas ilhas ,hoje como Centro de saúde não tem assistência suficiente e os doentes  tem que ir para a ilha da Madeira ,de avião ,porque o Centro de Saúde ,poucos médicos tem.  .E assim o Dr .Lima reduziu a mortalidade a menos de 30% pelo  que a partir dai foi o aumento da  população .Também foi ele que que assistiu ao meu" nascimento"  ,  por falta de leite materno  porque a minha mãe ,e as outras mães nunca tiveram leite suficiente para alimentar os filhos ,e nessa altura no Porto Santo havia falta de alimento ,os meus pais começaram a dar leite de cabra misturado com água  mas era muito forte ,e havia falta de dinheiro e só um médico ,atribuía-se  mais tarde este facto a duas causas principais esterilidade do solo não produzir vegetais e a ignorância e necessidade de as mães alimentarem as crianças, poucos dias depois do seu nascimento com papas de cevada , de trigo e de farinha de milho ,mas depois com vigilância da autoridade sanitária na ilha começou o fornecimento gratuito de farinhas lácteas sem esquecer a ração diária de leite distribuído ,que já vinha sendo feito desde 1939,a crianças pobres filhos de sócios da Casa do Povo ,por iniciativa do Presidente do Município e da direção daquela instituição social, 2º Tenente Joaquim Pinto Pinheiro .,      .Com a continuação foi crescendo e a minha mãe com o meu pai continuavam a trabalhar na fábrica, meu pai fazia um pouco de tudo na fábrica ,aqui nesta foto se vê o meu pai de boina na cabeça, a cortar o peixe na máquina ,para depois ir a coser.
e também era guarda guarda noturno, a minha mãe trabalhava no peixe a enlatar colocar peixe na lata,
e a fazer outros trabalhos isto não é a minha mãe ,mas é só para dar a conhecer o trabalho da fábrica ,aqui é a trabalhar com sardinha  ,e eu andava por ali no meio dos trabalhadores ,umas vezes a fazer maldades ,outras não .A primeira habitação dos meus pais foi provisória por cima do refeitório onde os trabalhadores da fábrica faziam sua refeição e foi ai que eu nasci .Tinha uma escada de madeira para subir e era muito escuro ,quando a fábrica estava parada os meus pais tinham que andar de candeeiro a petróleo na mão. Que era igual a este pitromaxe .
Ia fazer os meus três anos   quando meu pai nos levou de viagem a Vila Real de Santo António, para conhecer os meus avós ,meu avô Augusto Faustino e minha avó Balbina Duarte Faustino , e toda a família ,Saímos de Porto Santo no Carvalho Araújo e lá estivemos uns tempos ,me recordo que o meu pai me levou à mata do Farol de Vila Real e me mostrou um Camaleão ,conforme mudava de sítio ele mudava de cor, aqui estou eu com 3 anos no parque  do Farol  de Vila Real.

E aqui está ele todo Majestoso com sua mata ainda há sua volta.



me recordo da irmã do meu pai minha tia Felizarda Faustino  que ensinava a bordar a muitas jovens e eu também gostava de andar no meio delas , no regresso para Porto Santo  foi no Navio Lima,
isto mais tarde contado por minha mãe . Uns meses depois  ficou a minha mãe grávida de meu irmão Augusto e já estava-mos em Porto Santo.  E  como as escadas eram muito altas onde se morava  e a minha mãe não podia subir as escadas a gerência  da fábrica que era o Senhor Carlos Hitrópio mandou fazer uma pequena casa para os meus pais no quintal da fábrica próximo do armazém onde colocavam os combustíveis o que era muito perigoso,   e com outro problema quando faziam a secagem de restos de peixe era um cheiro nauseabundo , onde depois de seco era moído e enviado para o Continente para adubar as terras .Os nove meses passou e nasceu meu irmão Augusto  digo meu irmão novamente Augusto ,porque o meu pai repetia o nome daquele que morria noutro filho ,e Augusto era o nome do pai do meu pai, já na casa nova, e nessa altura veio a tia Jesuína ajudar a minha mãe, tia directa  de minha mãe irmã da mãe de minha mãe minha avó Cândida da Silva Saldanha ,casada com  meu Avó João António Drumond Saldanha  ,  e de  dois tios que   emigram para América  tio Nicolau ,e tio Aluísio que por lá ficaram onde o tio Aluísio    deixou em Porto Santo duas  filhas Carolina  e Maria da Glória   e nunca mais voltaram, mas sei que ajudaram a crescer minha mãe e minhas tias, Gertudes Saldanha e Maria Cândida e meu tio José  Saldanha irmão de minha mãe  ,que morreu muito novo  foram esses tios com dinheiro que mandavam da América em cartas para ajudar alimentar minha mãe e tias que eram pequenas  porque minha avó,e meu avô morreram novos e foi a tia Jesuína que os criou   até casarem ,isto me contou minha tia Gertudes numa semana de férias que fiz em Maio de 2018 ,a única da família que ainda está viva com os seus 86 anos Gertudes Saldanha Drumond ,foi esta a tia que  em pequena andei pela mão dela.
E vim a saber por ela que a família do meu bisavô pai da minha avó era descendente de Machico de família Saldanha ,casou em Porto Santo e por lá ficou ,nunca   tive contacto com essa família e não sei se irei conhecer ,mas adorava conhecer. Eu até os meus nove anos conheci a tia  Jesuína até sua morte. Era por habito nessa altura quando as mulheres tinham filhos ficarem uns dias na cama ,e não pegar em pesos ,assim a tia Jesuína ia uns tempos para a companhia da minha mãe ,cuidando de nós lá em casa.
                                   
Eu aqui  com os três anos  nesta foto tirada no quintal dos meus avós paternos  na viagem que fizemos a Vila Real de Santo António. Quando meu irmão Augusto nasceu  nós já estávamos a morar na casa nova ,tinha ele 9 meses quando um dia os meus Pais estavam a trabalhar ,e como a casa era pegada com o armazém do combustível  os homens andavam sempre dentro e fora a tirar combustível e se esqueceram de deixar próximo do bidão de gasóleo o candeeiro a petróleo  atraiu ao combustível e começou arder sem darem por isso ,só quando viram sair fogo do armazém é que começaram apagar mas já foi tarde demais ,era gritos e mais gritos porque a fábrica estava cheia de pessoal a trabalhar, nós estávamos dentro da nossa casa, e o fogo estava a começar arder a casa .A minha mãe entrou agarrou meu irmão que estava no berço ,e em mim e se afastou  ,como não teve tempo de pegar num cobertor foi a onde as mulheres colocavam as batatas de trabalho e abafou meu irmão nos braços ,E por ali andou até que tudo se resolve-se. Me lembro como se fosse hoje os estalos que dava as telhas ,pois eram de lusalite e parecia milho a fazer pipocas ,lá conseguiram apagar o fogo e continuamos na casa ,onde depois o gerente que era o Senhor Carlos hitrópio começou a dizer que tinham que fazer uma casa para os meus pais noutro sítio porque ali era perigoso.
II

Os meus queridos Pais hoje já desaparecidos.
E assim foi, feita numa parte das traseiras da fábrica com ligação  para a fábrica e outra para o nosso quintal ,mas acontece novamente o perigo ,um pouco mais há frente do quintal da casa ,havia um Túnel que fazia a circulação de ar para a fábrica ,e a saída de resíduos desta ,e eu como  muito curiosa e tudo queria ver, um dia lá ia caindo dentro do túnel, então o meu Pai teve que fazer uma vedação em madeira para eu não sair do quintal, mas como cada ripa tinha um espaço de dez centímetros, um dia entalei lá a cabeça, e foi mais um susto para os meus pais ,todos tentavam e ninguém conseguia, então  o senhor António Isidro  o filho do Senhor Vital que era uns dos responsáveis pelo pessoal  que consegui me tirar de lá a minha cabeça , mais tarde foi crescendo e ele dizia te lembras quando te tirei a cabeça que entalaste nas grandes ,eu sempre respondia que sim mesmo já com os meus cinquenta anos, uma boa família de Vila Real hoje só existe uma pessoa da família a irmã do senhor António Isidro Elvira com o mesmo nome de sua mãe pois sobe há pouco que seu irmão Zeca o mais novo  casado no Porto Santo ,morreu numa queda de mota , lembranças   minhas que aos poucos vou ir revelando .Esta era mais uma família de Vila Real de Santo António a trabalhar na fábrica das conservas  , o Senhor Vital como Chefe geral ,e a D. Elvira sua mulher chefe das mulheres trabalhadoras ,mas  antes do  Senhor Vital esteve outro Casal que não  recordo seu nome  , e se encontra aqui nesta foto do lado direito sua senhora ele e o Senhor Raimundo dono da Fábrica na chegada em 1955 do Presidente da República General Craveiro Lopes  em 1955.
 O tempo foi passando e como meu irmão Augusto  nasceu ia ficar sem o meu berço que era feito de vime  que os meus pais tinham mandado buscar à outra ilha a Madeira  que como sabem a Madeira tinha  muito vime e faziam  tudo com essas hastes o que ainda continua pois é atração do turismo e o ganha pão de muitos ,Principalmente no Sitio da Camacha,  coisas lindas que fazem e o meu berço era feito disso .Então o meu pai começou a construir uma cama de madeira para mim, quando saía do trabalho lá ia ele fazer a minha cama e eu andava a roda dele  não levou muito tempo já estava eu a dormir na minha cama nova com umas rosas desenhadas  e pintada de azul, o colchão era de palha de trigo ou cevada ,pois nessa altura os mais pobres tinham colchão de palha ,e os mais ricos de palha de milho  ,a mesma cama a partir de mim passou por mais seis  filhos que os meus pais tiveram ,João Augusto Drumond Faustino António José Drumond faustino ,Eduardo Drumond Faustino, Ana Maria Drumond Faustino, que morreu aos sete anos ,onde nasceu outra filha e os meus pais colocaram o mesmo nome Ana Maria Drumond Faustino,e Maria Teresa Drumond Faustino  que é a mais nova e a última de todos. Assim foi vivendo na fábrica e era o meu pai que vinha fazer as compras ao fim de semana ia de bicicleta ,quando começava a se demorar lá minha mãe vinha comigo a um canto da fábrica que era donde se via a estrada ver se o meu pai vinha ,Um dia  estava à  espera e minha mãe olhou para o mar porque a fábrica ficava mesmo rente ao mar, e viu uma coisa escura a boiar ,disse anda vamos ver o que é aquilo ,pois já estava quase na roda da maré, andamos e fomos ter aos antigos cabeços pretos
,assim se chamava porque conforme abriram a estrada e era um monte ficou dividido em dois ,descemos e minha mãe foi ver era um fardo de borracha que os navios com a fiscalização deitavam ao mar porque nessa altura era contrabando, me lembro de andar a olhar em volta e só tinha ossos do bico de espadarte e de  outros peixes ,voltamos a casa para ver se meu irmão dormia minha mãe me vestiu o meu fatinho de banho azul com barquinhos brancos que a minha tia Felizarda me tinha dado pois foi ela quase que me vestiu com roupas feitas por ela a mim e ao meu irmão Augusto  e continuou sempre a mandar pelo Correio direto de Vila Real roupinhas para nos vestir. A minha mãe subiu o vestido e lá fomos nós as duas tentar colocar o fardo num sitio para esconder ,me lembro o que a minha mãe dizia faz força ,eu com 4 anos já quase cinco fazer força, dizia para se enganar a ela própria ,e consegui por num canto e lá tapou com ramos de cruciana  mas dizia-mos guciana ,e assim lá ficou. Quando meu pai chegou já era noite e andava minha mãe de candeeiro a petróleo à espera dele e lhe disse o acontecido ,meu pai todo aflito porque nunca gostou de problemas dizia como vamos resolver isso ,e minha mãe lá consegui dizer como fazer e meu pai foi ter com um sapateiro da Madeira que se chamava o mestre João "Tareco" porque na ilha de Porto Santo  colocavam  sempre as pessoas com alcunha e lhe chamavam " tareco" , que estava na ilha de Porto Santo a trabalhar e foi ele que ficou com o fardo de borracha  para colocar nos sapatos no trabalho dele, não sei se deu dinheiro ou não ,só sei que mais tarde vim a saber que foi meu padrinho de baptismo até nisso começou a minha sorte ,nunca foi apresentada a ele  nem ele nunca se apresentou coisas de meu pai.
Esta era a estrada onde se chamava os Cabeços Pretos. Hoje já uma via rápida mais moderna.
O tempo foi passando e minha mãe tinha medo de ficar só na fábrica aos fins de semana e meu pai começou a fazer um atrelado de madeira com umas rodas de bicicleta e pintou da cor da minha cama azul devia ser a única tinta que tinha, meu rico pai ,assim começamos a sair  com meu pai ao fim de semana mas quando chegava aos cabeços pretos lá minha mãe saia do atrelado  para empurrar   porque tinha uma pequena subida ,e lá se ia às  Pedras Pretas à casa onde nasceu a minha mãe  que era a casa de seus pais e da tia jesuína ,e de os dois irmãos que estava na América ,que deixou duas filhas Carolina,e Maria ,mas quando se ia fazer a visita tinha eu 4 anos já andava problemas de herdeiros, minha prima Maria recebeu a sua parte ,e a prima Carolina ficou a morar pegada com a outra parte da casa, onde mais tarde foi morar para o Sítio do Dragual ,e ficou duas filhas a morar nessa casa, Herminia  já casada com Manuel Ferreira que trabalhava nos Barcos de Carreira e outra  com o nome de Engrácia muito jovem que mais tarde foi uma boa costureira , onde mais à frente irei falar ,a casa dos avós era onde morava as minhas tias na altura ,tia Jesuína tia Cândida já casada ,e já com uma filha minha prima Fátima que era da minha idade e a tia Gertudes que ainda não estava casada casou mais tarde ,e o marido de minha tia Cândida estava imigrado no Curaçau perto da Venezuela. Fomos fazendo pequenas visitas e minha Madrinha de baptismo morava próximo  da casa  de minha tia Cândida se chamava  Maria  do Nascimento Melim que era da família de Senhor José de Hático ela mais tarde imigrou para o Brasil ,até hoje com esta idade nunca mais sobe dela, mas tenho como recordação uma foto sua que me deu minha tia Gertudes nas pequenas férias  , que fiz em Maio de 2018 que adorei ,e fiquei em casa de minha prima Genoveva, filha da minha tia Gertudes,
minha Madrinha antes de ir para o Brasil   meu deu de prenda uma linda boneca de pano feita por ela adorei mas foi a primeira briga que tive com minha prima Fátima ,ela queria a boneca e eu teimosa não dei ela meu deu uma dentada numa orelha que não me tirou um bocado por sorte ,e daí saiu uma briga entre as duas irmãs. Minha mãe que me defendia e minha tia que defendia sua filha, e assim tiveram um tempo sem se falar. O meu pai tinha dois lindos cães na Fábrica um era o  raça Samoieda ,todo branquinho com o nome de Doge ,e outro grande cinza parecido com o Pastor Alemão com o nome de Tigre  meu pai adorava os seus cães fazia papas de milho cozido para eles e eu ia sempre com ele dar de comer e ver o que meu pai fazia de cuidado para proteger a fábrica porque fazia de guarda noturno. Um dia viemos ver a família ao Sítio das Pedras Pretas que era um passeio que eu adorava muito ,porque havia extração de areia preta na praia ,e era carregada essa areia  por  burros do senhor João que me lembro que diziam senhor João dos burros ,e eu ficava encantada por os ver ,e quando voltamos os cães não vieram ter connosco como era hábito ,meu Pai estranhou e disse a minha mãe vou ver o que se passa com os cães, demorou um pouco e quando chegou vinha aflito e triste, a minha mãe pergunto o que se passa e meu pai respondeu mataram os nossos cães, e foi veneno ,minha mãe disse logo foi para roubar ,meu pai foi dar a volta e confirmou ser verdade ,minha mãe disse vai dar a volta fora da fábrica porque o tempo da nossa demora não deu para levarem tudo ,assim meu pai fez desceu para o túnel que ficava pegado com a nossa casa e foi encontrar ainda caixas de conservas e azeite e outras coisas carregou tudo e foi chamar o senhor Vital para conversarem o sucedido e também veio o Senhor Carlos e D. Ligia pessoas que acompanharam a minha infância.
que era o gerente e deu que falar ,não demorou muito souberam logo quem foi mas como ainda conseguiram recuperar coisas deixaram a coisa passar, onde esse senhor João do Barbas sempre pensou que nunca ninguém o tinha descoberto fizeram foi de conta com pena  da tia ´porque ele era um sobrinho da senhora Maria Augusta que era uma pessoa de respeito e grande amiga da Senhora Elvira que era a chefe das mulheres da fábrica e tiveram consideração .Meu pai com a morte desses dois cães nunca mais teve outros cães dele ,pois mais tarde ouve na nossa casa mas eram de meus irmãos ,tal o desgosto que teve.
O tempo foi correndo e minha Mãe começou a ficar doente desde o dia que ouve o tal roubo na fábrica tinha muito medo de ficar só com a gente enquanto meu pai ia à Vila buscar a alimentação para a nossa casa, ao ponto de ficar de cama e a tia Jesuína estar lá a cuidar de nós e dela e minha tia Gertudes que também vinha para ajudar tia essa que me lembro andar a passear de volta da fábrica pela sua mão, que ainda é viva nesta altura que estou a escrever o livro tem 86 anos lhe desejo muita saúde para saber que tenho ainda uma tia viva, para meu pai poder  trabalhar ,as trabalhadoras da fábrica iam ver a minha mãe e começavam a dizer que tinham feito feitiço e outras  coisas mais ,ao ponto de alguém que trabalhava nos barcos de carreira que faziam viagens entre Porto Santo Madeira trazer um líquido que alguém mandava para curar lá esse feitiço e minha mãe tomava, isto foi andando e minha mãe não ficava melhor ,eu andava por ali a brincar com a terra que tinha uma cor linda de um castanho avermelhado, o que neste momento a escrever estou a ver essa recordação de todos os bocadinhos por onde eu andava ,desde um ribeiro que tinha água andava por ali a brincar ,e um Dia me afastei e foi para beira mar  porque havia uma pedra bonita pelo mar dentro em cinza que tinha o formato de uma Baleia  e lhe chamavam a pedra baleia ,e como era uma zona de pescadores de cana  foi para aí, mais um susto para os meus pais, hoje no seguimento dessa pedra ,existe  um grande porto de embarque e desembarque de Navios, a minha sorte era sempre os trabalhadores da fábrica que davam sempre conta do acontecido. O tempo foi correndo e a fábrica só trabalhava com muito pessoal só três a quatro meses na altura do Atum começava em Maio e ia até o meio do mês de Agosto .Um dia como eu andava por ali e via tudo o Senhor José Gomes que lhe chamavam o fogueiro porque era ele que tomava conta da caldeira, para a fábrica trabalhar tinha o hábito de beber vinho do Porto Santo  que trazia numa garrafa verde que era   de cerveja da Madeira já vazia e ele trazia o vinho lá dentro e guardava lá no seu cantinho, um dia ele se afastou e eu foi e bebi o resto do vinho que estava na garrafa pouco ou muito para uma criança de 4 anos fiquei bêbada mais um susto ,todos diziam que  "aconteceu" conversa puxa conversa e minha mãe percebeu que eu cheirava a vinho assim foi a descoberta o Senhor José Gomes deu por falta e disse a meu pai ,a partir daí nunca mais vi a garrafa .Fomos continuando e minha mãe sempre doente eu que fugia sempre as minhas tias um dia vou a correr e caí dentro de um poço de salmoura onde colocavam peixe era uns poços que ficavam rente ao chão e a correr distraída  caí lá dentro e quando de lá saí fiquei cheia de borbulhas no corpo andei uns tempos e nunca mais passava, levava cada palmada no rabo mas era sempre a mesma coisa era muito traquina e curiosa tudo queria ver. Como a minha mãe não ficava melhor ,meu pai tratou de arranjar uma casa fora da fábrica ,então viemos morar para o Largo de Ana Viera ,em frente a uma pequena venda , ou mercearia ,que pertencia ao Senhora João de Roque.
Vivemos nessa casa pouco tempo pois só tinha uma porta de entrada e saída e meu pai andava a procurar de outra, foi perto dessa casa que  um casal de estrangeiros passava férias, essa casa pertencia ao Senhor José Inês ,eles tinha uma menina da minha idade ,e eu ia para lá brincar ,e foi com eles que conheci os primeiros flokes de trigo com mel ,pois na ilha não se comia nada disso ,em 1955.Mais tarde saímos dessa casa e fomos morar para uma casa senhorial que ficava nas traseiras da nossa casa na estrada principal que ainda hoje existe fazendo a ligação Pico  Castelo, Aeroporto,Camacha,para a parte Norte da ilha. Moramos lá pouco tempo, .Vou contar algo que aconteceu nessa casa .A minha mãe como trabalhou na fábrica tinha muitas jovens da idade dela que ainda não estavam casadas ,como Maria de Aida, Maria de Lurdes ,Paisita filha do senhor Rocha ,nossa prima Alexandra,,, Ligia que foi madrinha de meu irmão Augusto, que a mãe era a senhora do ´Ó, uma grande costureira que era a mulher do senhor José do Monte ,que tinha a pensão Palmeira ,todas que aqui mencionei já não estão neste mundo, e outras que agora não me lembro ,como a casa era grande ,e tinha uma grande cozinha ,e nessa altura dos anos cinquenta as mulheres solteiras tiravam muitas sortes para ver se iam casar pediram a minha mãe para fazerem  lá uma sorte ,essa sorte era a mesa de cozinha colocada com tudo o que era bom para receber, e havia um espelho na cozinha, a sorte era à meia noite, a porta aberta para entrar o convidado e elas a varrer para a rua ,mas como estava muito vento, e a minha mãe tinha uns paus de figueira debaixo do lar, que antigamente era assim a comida feita a lenha ,o vento deixou cair os paus fez barulho e elas cheias de medo acabaram  logo  continuar a fazer a tal  sorte ,isto vi eu pelo canto da porta por que era muito curiosa .Os anos foi passando e eu e minha mãe nos riamos muito desse caso .Essa casa mais tarde ,foi alugada pelo senhor José de Lino ,para fazer o clube do portosantense que ele fundou.
Estou a escrever aos poucos, para estar mais próximos dos meus pais ,recordando a minha infância e ter o orgulho de falar da terra onde nasci.
Os dias foram passando com o meu pai a trabalhar na fábrica e minha mãe a cuidar de nós, de mim  e de meu irmão Augusto .Mas com o caso que se passou desde o dia que quiseram fazer lá a tal sorte ,e o susto que levaram a minha mãe começou novamente com medo e meu pai, tratou de arranjar outra casa .Então fomos morar na mesma direção  com  um terreno pegado da casa onde se morava ,era uma casa do pai da senhora Maria Teodora que era mãe do senhor José Albino, e Rafael ,e tinha uma filha que não me lembro o nome, a senhora Maria Teodora foi a primeira cabeleireira da ilha nessa altura nos anos  54 e ,55 mais ou menos em fazer permanente uma forma de fazer caracóis no cabelo, e cortes de cabelo e continuou por muitos anos ,o seu filho o José Albino mais tarde foi dono de algumas padarias ,com sociedade com outro senhor que lhe chamavam o Frascal e outros ramos. Era pessoa muito respeitada na ilha. Então nós fomos para essa casa que era do pai da senhora Maria Teodora penso que o seu nome era José Macedo, se não me engano ,mas novamente o perigo a casa não tinha compartimentos era toda inteira só separada pela cozinha e no meio da casa tinha um grande tronco de madeira para aguentar o telhado e a minha mãe começou a ter medo que um dia o telhado cai-se .Eu entretida a ver a senhora Maria Teodora a arranjar os cabelos, e a fazer as permanentes ,o produto que usava tinha um cheiro horrível ,e assim andei a ver estas pequenas coisas, para hoje aqui estar a recordar, foi nesta casa que a minha mãe começou a alugar as primeiras bicicletas eram duas ,subia e descia as escadas todos os dias com essas bicicletas porque a casa não era rente à estrada .Assim moramos lá nessa casa talvez um ano ,porque o meu pai andava a tentar arranjar outra casa.
dessa casa tenho poucas recordações porque em pouco tempo fomos logo viver  numa cave que servia de loja ,por ser uma casa senhorial, onde por cima morava outras pessoas, nesta casa tenho muitas recordações ,e algumas de rir .A minha mãe duma  parte da frente da casa fez o quarto onde se dormia, onde deixou sempre uma porta fechada, porque como loja tinha duas portas ,e para trás tinha outra loja onde a minha mãe fez uma cozinha, e a outra parte da frente estava sempre aberta ,onde era a serventia da casa ,e não só era onde a minha mãe tinha as bicicletas para alugar. e mais tarde duas motas ,foi nesta casa que aprendi andar de bicicleta com uma perna por dento outra por fora ,porque eram bicicletas para homem, Quem me ajudou aprender foi Gregório, o que lhe chamavam o galo, pois ele andavam sempre por ali ajudar a minha mãe ,para ela no fim o deixar dar uma volta, nesse tempo os jovens a maioria eram humildes ,e respeitavam as pessoas mais velhas, o que hoje é tudo o contrário ,e Gregório era um desses ,esta casa ficava perto duma Ribeira que ainda hoje lá existe ,que faz ligação com a represa onde na ilha se aproveita a água da chuva ,para regras .Esta casa ficava perto de um passeio das loucas era o nome que lhe chamavam ,era pequeno com três palmeiras ,três bancos pintados de verde ,e um bebedouro, o chão era trabalhado com pedras da praia ,em branco e preto era giro hoje pouco ou nada existe dele ,tenho uma foto tirada com dois irmãos João Augusto e António José estamos os três.






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