É profundamente doloroso olhar para trás e ver anos de dedicação, presença e ajuda serem simplesmente apagados, como se nada disso tivesse existido. Ver uma filha dizer com leveza que nunca foi ajudada não é apenas uma injustiça; é a negação de tudo o que se fiz por ela.
A partir de hoje, decido parar. Não por raiva cega, mas porque cansei de alimentar a ingratidão. Se o que fiz no passado não teve valor, então é hora de deixar que a realidade do dia a dia fale por si. A partir de agora, entrego-lhe a responsabilidade total da vida dela. Apenas quando a ajuda deixar de existir é que o peso da ausência dela será sentido. Deixo de ser o suporte para quem não reconhece o chão onde pisa.
Apagaste do tempo o que por ti fiz,
Dizes que nunca estive, que nada te dei.
Pus- me inteira em tudo o que ajudei,
E hoje colho o silêncio do que nunca dizes.
Mas a partir de hoje, fecho a mão que dava.
Não por vingança, mas por me respeitar.
Se a minha presença de nada te servia,
Verás no meu silêncio o peso de eu faltar.
Caminha agora com os teus próprios pés,
Enfrenta o mundo sem o meu suporte.
Só quando a ausência te mostrar quem és,
Saberás que o meu chão te fazia forte.

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