A sinceridade é um cristal transparente. Quando confie em ti , entreguei-te esse vidro nas mãos, sem medo, acreditando que ias cuidar do seu brilho tanto quanto eu. Desarmei o meu peito e fiz da tua presença o meu porto seguro.
Mas o que fizeste foi outra coisa.
Pelas costas, transformaste as minhas verdades em moedas de troca, espalhando palavras sussurradas à sombra, onde sabias que eu podia ouvir. O eco da tua traição chegou até mim, não como um sussurro, mas como o som de algo precioso a quebrar-se no chão. E vidro partido não se cola; corta.
Quem escolhe a penumbra das minhas costas para falar,perde para sempre o direito à luz do meu olhar. Não há espaço para o teu ruído no meu silêncio. Por isso , recolho o resto de mim e fecho o livro. Este ponto final não é desenhado com raiva, mas com a tinta da minha própria dignidade. Afasto-me sem olhar para trás, porque quem não soube abrigar a minha alma, nunca mais saberá onde me encontrar.
Felizarda Drumond.
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