quinta-feira, 13 de agosto de 2026

11de agosto. Hoje caí.

 Quantos mais tombos darei daqui para a frente? Houve um tempo em que as minhas quedas eram outras. Eram os trambolhões da vida,as rasteiras do destino 🔮,as desilusões que a gente curava sacudindo a poeira e seguindo em frente. Hoje não. Hoje são os tombos do corpo 💀, a física a sobrepor -se à vontade,a pura e simples falta de equilíbrio. Tudo por causa de um quadro 🖼️ que não estava ao meu gosto. Olhei para ele ,vi a inclinação errada e a minha teimosia não descansou. Fui arranjar-lo. Porque a casa 🏡 ainda é o meu território e meu olhar ainda exige a perfeição que as minhas mãos sempre procuraram dar ao mundo. Só que os pés já não acompanham a rapidez da intenção. Logo de seguida,o meu filho pergunta se está tudo bem. " Caí", disse-lhe eu, com a transparência quase banal de quem constata o óbvio. E ele remata, com essa autoridade invertida que os filhos vão somando com os anos: "Não sabes que já não deves fazer certas coisas?"

Giro, não é?

De repente,a vida troca-nos as voltas e passamos a ser nós os alvos das recomendações e dos e dos raspanetes. O meu filho acha que me protege ao desenhar -me uma linha que não devo cruzar, mas esqueceu-se de que a vontade de pôr as coisas no seu devido lugar não envelhece ao mesmo ritmo que as pernas. Não sei quantos mais tombos darei. Mas sei que, enquanto olhar para a parede e vir um quadro torto, haverá sempre em mim essa teimosia bonita ---e um bocado perigosa --- dei querer endireitar.

Felizarda Drumond Faustino 13 de agosto 2026

🌹🌹

terça-feira, 11 de agosto de 2026

"Olhar para trás"

 Olhar para trás nunca foi o meu caminho preferido. Sempre preferi a promessa do futuro ao peso do que já vivi em mim. Mas hoje , por um instante , parei. Olhei para a estrada dobrada pelas sombras dos anos e dei por mim a fazer a pergunta que quase me tira o fôlego: como é que eu consegui? Pensei nos dias em que o ar parecia faltar, nas tempestades que ameaçavam não ter fim e no silêncio pesado de tantas noites em que a vida me exigiu mais do que eu achava ter para dar. Pensei nas certezas que desabaram, nos recomeços que doeram e nas feridas que tive de curar em silêncio para continuar a caminhar. E , no entanto contra todas as probabilidades, aqui estou. Não sei exatamente onde fui buscar tanta força. Houve momentos em que a minha coragem não foi um grande ato de bravura, mas apenas aquele murmúrio quieto ao fim do dia a dizer: "amanhã tento outra vez". Resisti quando parecia impossível, continuei quando o corpo e a alma pediam para parar, e atravessei territórios que pareciam desenhados para me destruir. Hoje percebo que não preciso de gostar de olhar para trás para reconhecer o valor da minha jornada. O passado pode até ser um lugar difícil de visitar, mas é também a prova viva de que sou maior do que tudo aquilo que me tentou derrubar. Não piso essas memórias com nostalgia, mas com um respeito profundo por quem fui nas horas mais escuras --- porque foi essa pessoa, exausta e ferida, que garantiu que eu estivesse aqui hoje. Consegui porque continuei. Consegui porque, no fundo, a minha vontade de viver e vencer sempre foi maior do que qualquer tempestade.

Felizarda Drumond.

                             



quarta-feira, 29 de julho de 2026

Registo para a Memória


 É profundamente doloroso olhar para trás e ver anos de dedicação, presença e ajuda serem simplesmente apagados, como se nada disso tivesse existido. Ver uma filha dizer com leveza que nunca foi ajudada não é apenas uma injustiça; é a negação de tudo o que se fiz por ela.

A partir de hoje, decido parar. Não por raiva cega, mas porque cansei de alimentar a ingratidão. Se o que fiz no passado não teve valor, então é hora de deixar que a realidade do dia a dia fale por si. A partir de agora, entrego-lhe a responsabilidade total da vida dela. Apenas quando a ajuda deixar de existir é que o peso da ausência dela será sentido. Deixo de ser o suporte para quem não reconhece o chão onde pisa.

                                 Apagaste do tempo o que por ti fiz,
                                  Dizes que nunca estive, que nada te dei.
                                  Pus- me inteira em tudo o que ajudei,
                                   E hoje colho o silêncio do que nunca dizes.
                                    
                                    Mas a partir de hoje, fecho a mão que dava.
                                     Não por vingança, mas por me respeitar.
                                     Se a minha presença de nada te servia,
                                      Verás no meu silêncio o peso de eu faltar.

                                       Caminha agora com os teus próprios pés,
                                        Enfrenta o mundo sem o meu suporte.
                                        Só quando a ausência te mostrar quem és,
                                        Saberás que o meu chão te fazia forte.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

O meu neto , com 14 anos adora aviação, isto são os vídeos que ele faz


 

O Peso da Generosidade Sem Limites.

 O"Às vezes, a vida parece um fardo pesado, mas a verdade é que , muitas vezes, somos nós que carregamos pedras que não nos pertencem. Ajudamos de coração aberto, sem segundas intenções, apenas pelo prazer de estender a mão. No entanto,a linha entre a bondade e a anulação é muito ténua. É doloroso perceber que, quanto mais nos doamos sem interesse, menos valor recebemos em troca. O que era um gesto de carinho transforma-se inexplicavelmente, numa exigência. E a culpa, no fundo, também é nossa. Somos culpados quando dizemos 'sim' ao mundo e um 'não' gigante a nós mesmos. Ensinamos as pessoas como nos devem tratar através daquilo que toleramos. Ajudar é uma virtude; deixar -se esgotar por quem só sabe pedir é um erro. Aprender a colocar limites não é egoísmo, é sobrevivência.😓🙍😞

domingo, 19 de julho de 2026

Um Obrigado do Fundo do Coração ! ❤️

 Hoje tirei um momento para olhar para o cantinho do meu blog e ver os 29 seguidores que oficialmente me acompanham por aqui. Sei que, na correria do dia a dia, nem todos conseguem passar cá sempre, mas quero que saibam que cada um de vocês é muito especial. Muitos são amigos de longa data, que estão comigo desde que abri este blogue e decidi partilhar um pouco do meu tempo convosco. Mas os meus agradecimentos não ficam por aqui. Quero deixar um" muito obrigado" gigante também a tantas outras pessoas espalhadas pelo mundo que, mesmo sem estarem na lista de seguidores, acabam por aterrar aqui. A todos os que tiram um minuto do vosso dia para ver as pequenas coisas que coloco --- os meus pensamentos, as minhas partilhas, os meus desabafos ---,o meu mais sincero agradecimento. Saber que, algures no mundo, alguém lê o que escrevo dá um sentido ainda maior a este espaço. Este blogue é feito para passar o tempo, mas são vocês que o tornam verdadeiramente especial.

Um abraço 🫂 virtual bem apertado para todos, estejam perto ou longe! 🌍✨.

O Tempo, os Projetos e as Minhas Vitórias

 Às vezes dou por mim a pensar se este hábito de começar e não acabar será, no fundo, uma questão de idade. Olho para trás e vejo os pequenos começos espalhados pelo caminho. Uma parte de mim diz que agora,a esta altura da vida, já não irei perder este hábito; ele já se instalou,já faz parte da minha rotina. Mas o tempo também nos trás uma miopia seletiva muito bonita: a capacidade de focar no que realmente importa. Com a idade que tenho , aprendi que tudo é uma vitória. O acordar, o tentar , o dar o primeiro passo --- tudo conta. Por isso , decidi mudar a perspectiva. Se este hábito de deixar as coisas a meio insistir em ficar, que a persistência em continuar a tentar seja a minha verdadeira conquista. Que esta transformação seja mais uma vitória 🏅 para escrever nas minhas memórias. Afinal, a vida não se mede apenas pelos livros 📚 terminados, mas pela coragem de continuar a escrever novas páginas.✍️✍️⌨️


sábado, 18 de julho de 2026

Título: Quando o corpo quer, mas a mente diz"não": tu também te sentes assim?

 Sabe aquele dia em que acordamos com planos, a querer ser produtivos, mas parece que a nossa cabeça simplesmente recusa cooperar? É exatamente assim que me sinto hoje. Um cansaço que não é físico, uma sonolência que o café ☕ não cura e uma mente que parece ter entrado em modo de segurança. Às vezes cobramo-nos tanto que nos esquecemos de uma verdadeira básica : a mente também esgota. Vivemos bombardeados por estímulos, decisões, ecrãs e prazos. Tentamos dar conta de tudo o tempo todo e, quando o cérebro 🧠 finalmente puxa o travão de mão ✋, culpamo-nos. Mas a verdade é que o esgotamento mental é tão real  quanto o cansaço depois de correr uma maratona. Hoje , a minha cabeça não me deixa pensar direito. Escrever sempre foi o meu porto de abrigo. Este blogue é o meu passatempo, o espaço onde venho respirar um bocadinho de mim. Mas hoje,a minha cabeça simplesmente decidiu fazer greve . Olho para o ecrã e as palavras parecem fugir de mim , como se estivessem a brincar às escondidas. Será que um de vinho 🍷 tinto faria bem? Dizem que o vinho faz bem ao coração ❤️, por isso, por associação de ideias, também deve fazer bem à alma de quem está com bloqueio criativo. "Por hoje é tudo até que a preguiçosa 🦥 passar!"


quinta-feira, 16 de julho de 2026

O Efeito Bola de Neve (Mas com Final Feliz!)

"E assim , mais um cantinho riscado da lista! A verdade é que o problema nunca é o ato de limpar em si, mas sim o efeito dominó que se gera assim que pegamos no pano. Começar -se por um espaço pequeno e,de repente,o trabalho multiplica-se: há lixo para despejar, a casa parece que se revolta e o pó decide fazer uma viagem guiada pelo ar, espalhando -se por todo o lado. O que era uma tarefa simples transforma-se numa verdadeira maratona. Mas a verdade é que, apesar da luta contra o pó voador, a sensação de olhar para o espaço ao lado do guarda - vestidos e vê-lo impecável compensa cada espirro. É mais um recanto pronto, limpo e acolhedor para receber o inverno. Sabe tão bem olhar para ali e sentir o dever cumprido!".  Até próxima desafio dos estores.🙏 ," E tu, já passaste por uma situação destas? Como é que lidas com isso? Conta-me a tua história aqui nos comentários!".

A coragem que começa na borda da cama ( e a saga do meu guarda - vestidos)

 Bom dia, cá estou eu. Sentada na borda da cama, a olhar fixamente para aquele cantinho ao lado do meu guarda - vestidos. Quem me vê assim,pensa  que estou só a descansar, mas a verdade é que estou a travar uma batalha silenciosa: a ganhar coragem para começar. Quem tem quarto pequeno sabe perfeitamente do que falo. Aqui, qualquer arrumação transforma-se num verdadeiro puzzle ou numa aula de ginástica localizada. Para chegar ao meu objetivo de hoje, não basta abrir a gaveta. Tenho de puxar o alçado do móvel --- e sim , custa a puxar, exige força física e uma boa dose de paciência para não bater em nada. O meu alvo são duas pequenas caixas cheias de "coisas"que precisam de uma volta urgente , porque estou a preparar a minha casa para o inverno, uma forma de carinho para mim e para a minha casa. Por agora vou arregaçar as mangas e deitar mãos à obra.

O Quadro Vivo do Fim do Dia


 O céu não é apenas espaço; ao fim de cada tarde, ele se faz tela. Como um artista que não teme misturar a melancolia da noite com a vibração da vida,o horizonte se veste de gala. Há um drama silencioso e belo que se desenrola diante dos nossos olhos: os tons mais escuros e profundos da noite que se aproxima começam a abraçar o firmamento, mas não sem antes dar passagem a uma última e gloriosa explosão de cor. É o alaranjado vibrante que rasga as nuvens, quente e vivo, como um braseiro que insiste em aquecer a alma. Logo abaixo,quase tímido, mas incrivelmente luminoso,o amarelo claro se derrama como ouro líquido na linha do horizonte, suavizando a transição e trazendo uma paz quase sagrada à despedida da luz. Contemplar esse espetáculo é lembrar que a maior beleza da vida está na impermanência. Esse quadro vivo, pintado em tempo real pelo próprio universo, dura apenas alguns minutos, mas é o suficiente para nos roubar o fôlego, acalmar o peito e nos fazer agradecer pelo simples privilégio de poder enxergar. Que o calor ♨️ dessas cores permaneça no coração mesmo depois que a noite cair .🍂 felizarda Drumond 16/julho 2026.

terça-feira, 14 de julho de 2026

14 de junho de 2026

 Hoje foi um daqueles dias em que a verdadeira batalha começou antes mesmo de eu passar pela porta 🚪. Houve uma luta silenciosa entre a vontade de ficar e a necessidade de ir, mas eu venci. Escolhi calçar os tênis, enfrentar o caminho e dar a minha volta. Foram dois quilómetros para lá e dois quilómetros para cá. Quatro quilómetros de asfalto mas que pesam como a montanha conquistada. A cada passo na ida,fui deixando para trás a hesitação . A cada que passo no regresso, fui trazendo comigo a certeza de que a minha força continua aqui. Se há uma lição que guardo de hoje, é esta: eu ainda consigo. O meu corpo respondeu, a minha mente resistiu e eu consegui dar a volta ----- em todos os sentidos da frase. Que o orgulho que sinto agora; enquanto escrevo estas linhas, fique guardado na memória para os dias mais cinzentos.
Eu sou capaz. Hoje provei-o a mim mesmo.

Bom dia amigos desabafos para ganhar força, porque não é sinal fraqueza.🌹🌹🌹🌹


segunda-feira, 13 de julho de 2026

Eco de Vidro Partido

 A sinceridade é um cristal transparente. Quando  confie em ti , entreguei-te esse vidro nas mãos, sem medo, acreditando que ias cuidar do  seu brilho tanto quanto eu. Desarmei o meu peito e fiz da tua presença o meu porto seguro.

Mas o que fizeste foi outra coisa.

Pelas costas, transformaste as minhas verdades em moedas de troca, espalhando palavras sussurradas à sombra, onde sabias que eu podia ouvir. O eco da tua traição chegou até mim, não como um sussurro, mas como o som de algo precioso a quebrar-se  no chão. E vidro partido não se cola; corta.

Quem escolhe a penumbra das minhas costas para falar,perde para sempre o direito à luz do meu olhar. Não há espaço para o teu ruído no meu silêncio. Por isso , recolho o resto de mim e fecho o livro. Este ponto final não é desenhado com raiva, mas com a tinta da minha própria dignidade. Afasto-me  sem olhar para trás, porque quem não soube abrigar a minha alma, nunca mais saberá onde me encontrar.

Felizarda Drumond.



O Tempo e a Maturidade: A Arte de saber viver.

 Quando somos mais novos, vivemos com a ilusão de que o tempo é infinito. Dias , meses e anos parecem estender -se à  nossa frente com um horizonte que nunca mais acaba. Nessa pressa da juventude, é fácil viver no piloto automático, sem dar valor aos pequenos momentos, à rotina ou ao milagre que é  acordar todos os dias. Os jovens correm atrás do futuro, esquecendo -se de habitar o presente. Só com o passar dos anos e com a chegada da maturidade é que os nossos olhos se abrem para a verdadeira beleza da vida. Percebemos que o tempo é o bem ❤️‍🩹 mais precioso que temos ----- e que ele não volta ➰ atrás. Aprendemos que a verdadeira felicidade não está nas grandes correrias, mas 🙂‍↕️ na voltinha que damos de manhã,no sabor do pequeno almoço, no cuidado que temos com a nossa casa e no civismo de zelar pelo que é de todos. Enquanto uns insistem em desrespeitar as regras e em desperdiçar os seus dias com o que não importa, quem tem a sabedoria da idade sabe que cada minuto é uma dádiva. Ter a consciência de que qualquer tarefa cumprida é um triunfo é o sinal de uma vida plena. A juventude pode ter força, mas é a maturidade que tem o privilégio de saber saborear o tempo.

Felizarda Drumond Faustino. 13/07/26.

domingo, 28 de junho de 2026

Sempre lutei contra o tempo.

 Sempre lutei contra o tempo,

Sempre lutei para amar.

Só que o mundo tem espinhos 

Que não podemos limpar 

E assim passam os anos.

Até a vida acabar.

Mas se o tempo é compasso 

Que não podemos deter,

Que a pressa não mude o traço 

do que insistimos em ser.

Se a ferida é memória 

do espinho que se pisou,

o cicatrizar é história 

de quem,no fim, não quebrou.


Não há de ser o cansaço 

que nos vai fazer parar;

enquanto houver um espaço,

ainda valerá amar.

Que a vida passe no vento,

mas salvamos o coração.

Felizarda Faustino


Memórias que não apagam.

 O colar da minha mãe,

que eu tanto admirava,

Não era pérola verdadeira.

Mas para mim era esmeralda.


O colar que em criança.

Sempre o vi colocar,

mais tarde quando cresci.

Ainda o vim a usar.


Não é preciso ser rico.

Para conseguir brilhar,

Que o colar que ela tinha,

Todos podiam comprar.


O colar da minha mãe.

Que eu ando a recordar,

São coisas de criança,

Que não consigo apagar.


Felizarda Faustino .